08 março 2017

de 9/3 a 7/3













-- Juan Otoya

19 fevereiro 2017

"Subsolo do Coração"

sonâmbulo ou bêbado,
desci por engano,
ao subsolo do coração

onde se guardam
e se aguardam amores
que nunca (mais) visitei

confuso, abro baús
repletos de vidros
contendo amores
que já se foram,
poderiam ter sido,
ou não serão.

casos sólidos,
amores líquidos,
paixões vaporosas,
permanecem acumulados
profundamente em mim

há frascos quebrados,
com marcas viscosas.
esvaídos de amores.

e sabores desconhecidos
cuja textura só suponho
e não me atrevo provar

súbito desperto,
suado e sedento
me sento e medito:
há razão no que jamais será?

me levanto 
e o chão treme:
será que meu passo vacila
ou o subsolo que se sente?

--Juan Otoya

02 novembro 2016

Poema do dia de Finados

Acorda, faz café, bota a calça, calça a bota e tá saindo quando a mensagem no zap informa: 'juan, não precisas ir à obra hoje, bom feriado';

No silêncio das máquinas, um respeito dos que estamos pelos que passaram;


muito depois que a grua partir e o barracão não estiver mais, seremos a pausa de silêncio guardada nesta construção,


construção que também há de se tornar um pixel mudo na memória da noite sem fim,


penso eu tomando outro café, com mais calma.


-- Juan Otoya

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30 março 2016

nimbus


tanto nada no toró de bites da nuvem de reflexos que certos dias se encharca de si mesma


-- Juan F de V Otoya

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10 junho 2014

Pele Mente Coração

con sumo em ato
em pura sens ação
quan´do pelo tato
cha-ma queima são

es-piando n´ol´fato
des-prendo ins-piração
Re: spiro amor de fato,
pele mente coração.

-- Juan f de v Otoya

18 novembro 2013

saudades de sampa

Quando falo de sampa, eu não minto:

selva sem jardim!

caos cinza, labirinto!

(e guardo só pra mim

as saudades que daqui sinto)

--Juan Otoya

04 julho 2013

"filosofia de sonâmbulo I"



pouco sono de dia, muito sol de madrugada

andando sem raciocinar, perambulando perto do mar
deitado na areia enluarada, preâmbulo de meditações
as idéias confusas começam a se fundir


torna-te quem tu és ou torna-te quem queres ser:

se quem que és é quem queres ser, então seja.
ou ainda seja-se: seja si


mas se quem quero ser é outrem,
esse outrem, que quero me tornar, quererá ser igual a si?
e se não quiser ser idêntico a si, então seja outrem, continuamente
o frequente movimento em direção ao próximo ponto.


então se a mudança é perene, ela é a realidade da constância:

torna-te quem tu estás sendo.

-- Juan Otoya

30 abril 2013

Acreditem

Acreditem: 
há ânimo na manhã preguiçosa, 
gentileza na correria do dia, 
fraternidade na imensidão da tarde 
e companhia no silêncio da noite 
(mas nem por isso já vencemos)

- Juan F. de V. Otoya

18 março 2013

"Lótusbook"


Enquanto a luz de uma estrela some no horizonte de eventos,
e uma orquestra ensaia sinfonias para tocar em parques,
e a beleza é retratada em cadernos de artistas atentos,
e a partícula acelerada se refaz em outros quarks,

lotófagos virtuais (alienados) seguem iguais:
discutindo a vida de 'famosos' e de eikes,
reclamando do trânsito sem usar as suas bikes,
vão mastigando a nova flor de lótus com seus 'likes'

--Juan F. de V. Otoya

é você?



nos revelando o balé do universo em expansão
ou fotografando seu café tipo exportação?

plantando um novo pé em sua própria plantação
ou propagando sua fé pela não-religião?

que estuda, descobre, aprende e ensina
ou repete sem entender alguma doutrina?

o encarcerado voluntário do programa de televisão
que segue torcendo por um mundo (s)em revolução?

que elegeu um candidato que não se lembra mais
e reclama em 140 toques que o governo nada faz?

é você?

-- Juan F de V Otoya

24 julho 2012

'dica de fotógrafo'


o que é negativo 
se não fica bem na foto
é melhor não revelar

-- Juan F de V Otoya

17 julho 2012

"saturado"

o passo aturado,
(andando parado),
quando pisa saturado
quer ser passado:
vai, enfrente!


--Juan Otoya

22 abril 2012

"Otimismo"


vejo com nostalgia o passado de um futuro que ainda há de ser
desde já sinto saudade dos amigos e dos amores
das noite de boêmia e cantoria
das vitórias merecidas
das derrotas injustas:
me lembro de tudo como se fosse amanhã
e ainda assim parece longe
a vida que vivo hoje

-- Juan Otoya

"O Fim"

há quem pense no futuro e faça planos
completos, complexos, simples, realizados

gente pessimista que olha para o tempo por vir
e se vê tropeçando, enganada e desafortunada

gente prática que se vê no espelho do futuro
antecipando soluções de problemas que não chegaram

gente otimista que olha pra frente e se vê
sorrindo radiante de felicidade dos bons tempos

há quem pense no futuro e sonhe ou chore.
essa gente que ao sondar o insondável, só vê o fim

viaja pensando em chegar
voa querendo pousar
compra calculando pagar
trabalha sonhando ganhar

bom ou ruim, vê o futuro assim:
uma estrada que leva pro fim

-- Juan Otoya

28 março 2012

destinada

se à vida destes nada,

ávida neste nada que és

destinada és a deste nada mais ser

--Juan Otoya


27 março 2012

'vem navegar'

vem navegar, meu amor,

vem navegar!

sente a brisa mudando,

entende o recado que traz:

novos ares, outros cais,

noutros mares, a mesma paz

vem navegar, meu amor,

vem navegar!

não sem rumo, nem rota

pois quem não sabe aonde vai

está ancorado ao ponto de partida

boiando em inerte marouço

vem navegar, meu amor,

vem navegar!

que o vento está sempre favorável,

às vezes não na direção que queríamos

mas se a boa maré nos direciona

pra quer ir contra a correnteza?

vem navegar, meu amor,

vem navegar!

que a hora da partida é chegada,

velas abertas nos mastros

rumo ao destino escolhido

e escrito em mapas e astros

--Juan F de V Otoya

'Aos Navegantes'

sempre leve nessa nave

o fundamental a teu mundo

tirando sempre lá do fundo

o que é apenas superficial

sempre leve essa nave,

pra que flutue portátil

não nômade nem volátil

apenas fácil de manobrar


--Juan Otoya

14 março 2012

dia nacional da poesia

oculta pela tinta fresca do muro
empoeirada no ostracismo da prateleira
mastigada com a rotina insossa
amassada pela condução lotada
omitida pela pressa passageira
extraviada em descarte postal
a beleza da poesia permanece

imune ao crepúsculo das mentes vãs
invulnerável às vaidades tolas da fama
incansável no combate às cretinas disparidades
projetando indeléveis imaginários oníricos
libertando da fadiga e do fastio
a beleza da poesia permanece

no relato desvairado do lunático sonhador
no mal redigido soneto para um amor sincero
no combate permanente dos homens justos
no retrato opressivo de uma era errante
a beleza poesia permanece

-- Juan Otoya

18 maio 2011

"Chuva na Obra"

Notas pluviais batucando capacetes:
Lama nas botas,
Pressa nos passos,
Força nas gruas.

Erguemos sob a chuva renitente a construção que projetamos contra a intempérie adversa.

-- Juan Otoya

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07 fevereiro 2011

"Fogo no Barracão"

Numa manhã de fevereiro,
em plena segunda feira
tirando o sono da escola
um presságio acordou madureira.

coletivo sonho sinistro,
pesadelo, suor e arrepio:
nuvens negras de fuligem
tornavam o horizonte sombrio.

nem o sol clareava o denso fumo cobrindo a baía
era breu na guanabara quando o dia amanhecia

oswaldo cruz se levantou
olhando pro céu da cidade;
confirmou-se o mau sinal
temido na comunidade:

fogo no barracão
a um mês do carnaval
"quase tudo pronto!"
o desespero era geral

fogo no barracão!

no chão os sonhos em chamas
na rainha, o assombro no rosto
a beleza tornando-se escombro
a costureira desaba em desgosto

fogo no barracão!

se vê na imensa fogueira o abre-alas da escola
a porta bandeira soluça,
o mestre sala consola

fogo no barracão!

flutuando dispersa no ar
naquela nuvem de poeira
não se pode reconhecer
o voo da águia altaneira

e o silencio no barracão
não dura nem um minuto
o azul e branco virou cinza
mas a escola rejeita o luto

O fogo não cala o samba e o surdo jamais emudece
pois o carnaval é justamente a festa onde sorri quem padece

a escola pisará na avenida
portando um traje singelo
desfilará sua majestade
usando bermuda e chinelo

-- Juan Otoya

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02 fevereiro 2011

"Dois de Fevereiro"

Sobre a pedra polida do Arpoador
o pescador agradece entoando um canto
deixa palmas como oferenda singela
fita o mar prateado: espraiado manto

banha-se sem pressa nas marolas
filtra o corpo nas brumas salgadas
expurga na espuma as desventuras
(se vê no espelho com força sagrada)

emerge solene o marujo
tendo afundado as mágoas
tem em si a maior proteção:
o início do ciclo das águas

navega sereno seu barco
celebra igual todo ano
festeja, canta, agradece:
"Salve, rainha do oceano!"

--Juan Otoya

01 fevereiro 2011

sobressalto noturno

"em sonho acordei do sono que sentia quando dormi: me vi só e senil
despertei sobressaltado, sobre teu seio suado e ainda febril"

-- Juan Otoya

14 janeiro 2011

o impossivel


"quero uma mulher que me faca calar a boca
antes que eu diga qualquer coisa
quero uma mulher que me deixe quieto
sem dizer nada
quero uma mulher com quem o silencio seja o suficiente"

-- Juan Otoya

10 dezembro 2010

"Samba do Cinturão de Fótons"

Do universo de nossos ancestrais envolto em mistérios
nos chamou a atenção a astronomia do povo sumério.
deixaram para nós este legado de sabedoria enorme,
gravado em tábuas de argila, na escrita cuneiforme.

'era uma vz uma binário...'
assim começa esta história.
onde havia um imenso planeta
que escapou de sua trajetória

colidiu um com outro corpo celestial
atraído para o nosso sistema solar
esfacelado na metade, nibiru,
formou a Terra que chamamos de lar

E o planeta x original
que moldou a nossa casa
foi finalmente encontrado
e confirmado pela nasa

hoje cantamos com alegria na avenida estes versos:
os povos antigos já sabiam da criação do universo!

com o passar dos séculos
esquecemos da energia,
hoje, só fala em matéria
sem consciência, chegamos
neste estado de miséria
mas recentemente
essa idéia romântica
se mostrou ser bem real
com ajuda da física quântica

a teoria racional caducou
e perdeu todo seu nexo
afirmamos positivamente
o mundo é bem mais complexo!

somos mais do que moléculas de átomos e prótons
sob a influencia cósmica de um cinturão de fótons!

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27 outubro 2010

"Pérola"

vagava pela orla
escutando as marolas
sem porto, nem cais,
quando, só, a vi

gema reluzente,
refugada pela ostra,
(que quis ser ostra só,
enconchando-se em si)

reconheci seu valor,
beleza outrora oculta,
pérola para poucos
que porcos não vêem brilhar

jóia singular diante de mim.
logo eu, rude amador
ofereci as alturas
de meu humilde altar

mostrei meu lapidar desejo
que expus com ébrio afã
de longos sinceros beijos
quis dar-lhe novo lar

ela rolou para longe
alheia ao perfeito plano
soltou-se no universo
dispersa no oceano

hoje nosso amor é sedimento
perdido na água turva do mar

não restou fragmento
ninguem soube desta história
guardo este sentimento
apenas em minha memória

-- Juan Otoya

26 outubro 2010

"Roaming"

Urban nomad packing thoughts:
all i need is elsewhere
scattered possessions
disperse memories
home is where i`m at: nowhere
(home is where i`m at: here)

-- Juan Otoya

29 setembro 2010

"Sal"

A vida tem mais sabor
quando teu suor liberta
o doce sal sem pudor
que teu corpo secreta.

Esse teu sal seca os olhos e o rosto.
limpando o sal amargo do desgosto

--Juan Otoya

02 março 2009

Semana em Sampa

meus dias mudaram
depois que mudei
minha rotina revela
o que me tornei:
longe do castelo,
nao sou mais um rei

desperto logo cedo,
respirando o progresso paulistano
(meus olhos chegam a marejar)
tusso ate a esquina
e espero o 476P-10 passar

subo no bonde lotado,
mas nem me esquento:
nao tem ar condicionado,
nem transito lento
me penduro la no alto
pra pegar um pouco de vento

chego enfim no alto do ipiranga
achando que que errei de estação
todos de casaco e camisa de manga
e eu achando que ainda era verão

ando pela plataforma beirando o vão
o metrô chega ruidoso e pára com um assobio
enquanto todos se amontoam no último vagão
ando mais um pouco e entro num trem vazio,

que inferno quando chegamos no paraiso!
o condutor pede espaço e ninguem se importa;
de meu banco no canto faço meu juízo:
todos querem ficar mais perto da porta

minha camisa escorre enquanto o trem corre
ate que pára e todos descem na consolação
nao faço fila pra subir de escada rolante
alguns degraus e saio no ponto alto da cidade

ando pela paulista junto com a multidão
pensando numa planilha ou num relatório
pego qualquer bonde até o mackenzie
pra chegar logo no escritório

páro no bar e me assusto com o que assisto:
acidente e transito parado, muita demora
tomo um suco, um cafe e um misto
e vou indo pois sao quase oito horas

25 março 2008

"Vida Simples"

numa terça feira ensolarada,
após um banho de mar gelado,
a loira de salto alto,
me olhou ao passar pelo bar

eu só rio

os amigos se divertiram,
talvez por causa da cerveja
ou das lembranças trazidas
pelo samba da outra mesa

depois que a cachaça abre o apetite,
peço filé à campanha, farofa e pimenta
pra saciar a fome e agradar o paladar
(e goiabada cascão pra arrematar)

envolto na fumaça do charuto
o fortíssimo café puro
adoça a minha goela.

não troco nenhum passo
isso hoje não é problema
vou para casa cedinho
pro amor da minha morena.

o troco vai pra caixinha
(que hoje não está rasa),
garantindo outra saideira,
sempre por conta da casa.

não quero muito:
só saldo e tempo,
suficente e ocioso

-- juan otoya

12 março 2008

"Elegia à eletiva"


deste aqueduto,
correram tantas águas;
sob estes arcos
escorreram tantas mágoas;

marco da minha cidade
parte da minha rotina
monumento sem idade
marcado em minha retina

um arco em minha íris
me traz boas memórias
de dias felizes e de noites de glória

mas o tempo passa
sem parar
sem levar
quem fica para trás
todo dia
cada ida
sem volta

elevou-se em mim uma angústia pelo que não há mais de ser

assim, sem saída para o que não tem fim,
busco numa estúpida elegia
o consolo da poesia
no reverso da saudade

a alegria verdadeira !
a lembrança ainda viva !
de toda sexta-feira
naquela eletiva !

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03 março 2008

"Partida Sem Despedida"

Aproxima-se minha partida
e peço aos amigos meus:
na hora da despedida,
não me venham com 'Adeus'

como quem persegue o que gosta,
(sem saber se passa ou se acampa)
como quem faz uma grande aposta,
vou-me embora para sampa.

Vou ali só um instante
(que talvez demore a passar)
não sou um nômade errante,
mesmo distante, não perco-me do meu lar
(metrópole fascinante onde as montanhas beijam o mar).
Sendo um bom filho, deixo minha casa para um dia retornar


viajo leve
pois volto em breve:
deixo a praia
deixo o morro
deixo a sunga
levo o gorro

é claro que terei saudades,
afinal esta é minha cidade!
E me fará falta tudo que a torna maravilhosa:
as meninas, a lapa, o tricolor e a verde-e-rosa

o que nunca esqueço,
não importa aonde eu for,
é que tendo o Rio por berço,
sou abençoado pelo Redentor.

Aproxima-se minha partida
e aos meus amigos eu rogo:
na hora da despedida,
no máximo um 'até logo'

-- Juan Otoya

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20 janeiro 2008

"A Próxima Musa"

Pra você
o que quer que eu seja
não importa;
você ainda é minha musa

mas saiba:
hei de encontrar uma que deseja
os beijos que você recusa

04 maio 2007

"O Dia dos Lírios"

Pra me aproximar de você,
cheio de boas idéias e más intenções,
trago ramos de lírios
pra ficarem contigo quando eu partir.

Seu coração,
quando eu for embora,
pode querer guardar uma flor
pra você lembrar por quem espera;

mas não a guarde,
caso o vento roube o perfume
das pétalas secas de lírios.

Antes do tempo levar estas flores,
guarde este dia na memória
em uma página da tua história
onde meu amor é presente.

E quando recordar deste momento
lembre-se destes lírios que te dou;
não para guardar,
mas para lembrar de hoje.

"Neste Instante"

De uma quina,
viva e distante,
você surgiu luminosa
alterando toda rotina
com sua presença cativante

me detive um segundo
te contemplando plenamente
pela eternidade que é possível
num momento tão efêmero

não sei se perdeste teu rumo
porque ali você permanece
aguardando a minha história
presente naquele instante
onde eu me econtro até hoje

o tempo insiste:
quer te levar embora
te apagar de minha memória
fazer o mundo continuar

eu sigo paralisado
descaminho do meu destino
desatino pro mundo ao redor
- sempre o mundo
em voltas e idas -
sempre tudo assim
tão eternamente de passagem
até você aparecer

nesse momento
fora do tempo
onde eu não estava
te encontrei
e aqui permaneço

guardando-a
numa dobra do tempo curvo
que pausou um instante
para te contemplar

eis me aqui
de passagem
sem querer passar

se for a sorte
que tudo que vai, volta
e o mundo é uma roda
me deixarei levar

mas caso estes versos te alcancem
antes que o sono nos leve,
vem ser a mulher mais feliz
deste momento mais breve

07 fevereiro 2007

157

Menina do 157,

como quem se intromete,
peço licença
pra incomodar (sua viagem )
e pedir um minuto da sua atenção:
eu vim aqui pra tentar roubar
seu coração

é esta necessidade que me guia
desde a praia de botafogo,
quando acelerou bruscamente
meu peito
neste ônibus:
você subindo, me levou ao céu
com sua beleza estampada
num típico sorriso de verão:
charmosa e brozeada.

não vou mais descer,pensei,
visando ficar mais perto de você,
imaginando onde chegaremos

um fim está cada vez mais próximo sempre
e um anjo não desce jamais
então, o fim deste roteiro
já está chegando

como quem se repete, direi
sinto meu fim cada vez mais próximo
e descerei desolado antes do final
sem saber pra onde ir
numa rua engarrafada do humaitá
quando chegar a hora errada
de não estar no local certo

mas eu tenho um compromisso

e como quem se compromete,digo:
sempre me lembrarei de você, menina do 157
guardarei na memória tua presença
que agracia um itinerário pleno de linhas solitárias
com um momento da companhia apaixonante

como quem desperta confuso
vou me levantar depressa
com a campainha
chegarei fora do horário
sem saber se o que sonhei
um dia será realidade

e como quem nem se despede
não olharei para trás
pra não te ver partindo
talvez nunca saiba
se voce me procurou
ou se não me encontrou

pois como nem só eu faria,
pra tentar permanecer,
me atrevi a escrever
estes versos cretinos
que deixo em tuas mãos
tentando existir na tua vida

menina do 157

até mais
ou até nunca mais
só depende de você
se lê esta carta amarrotada
ou se descartou o papel amassado
de um passageiro que saiu andando da tua vida

--Juan Otoya

29 janeiro 2007

"Mentiroso"

vou ser muito honesto
pra tentar te ganhar:
direi logo que não presto
pra voce se acostumar


mas pra ser sincero,
esse foi um truque enganoso,
você vai logo descobrir
que sou mesmo um mentiroso

um mentiroso que acha bacana mentir,
usando elementos fictícios
pra driblar a realidade

foi o que me disseram
e voce não precisa crer
(e se eu falar a verdade
voce nunca vai saber)

mas nao vou te enganar:
você vai adorar ser enganada
viverá em um mundo florido
que não trocará por nada

eu serei teu mestre-sala
e te farei a melhor rainha
te levarei pra bailes de gala
e vais querer ser sempre minha

achará que sou um bamba,
que sou um cara maneiro
mas não sei dançar samba
e nem tocar pandeiro

(só faço algum barulho
em instrumentos idiotas:
meu velho agogô
e um apito de duas notas)

nao me leve a mal
mas o que voce nao sabe,
é que nosso caranaval
pode ser, um dia, acabe

despido das fantasias e cansado de fingir,
voce então verá quem eu sou de verdade:
um mentiroso que acha bacana mentir,
usando elementos fictícios pra driblar a realidade

mas saiba que o drible também faz parte do jogo
e que a desilusão que voce terá não será comigo;

não será a fantasia que eu criei pra você
a origem do teu sofrimento

o que vai te magoar será a realidade

a realidade que eu procurei esconder de você
enquanto enchia tua vida de felicidade

01 dezembro 2006

"Dezembro / Hoje "


sempre me lembrarei
deste mês de dezembro
acordando embriagado
de prazer e de cachaça

o cansaço no corpo
da noite anterior
a fadiga na mente
de um ano que passou
depressa demais

tudo em ordem

logo logo é janeiro
mais um ano vem aí
com a mesmice
com a mudança
noites de amor
dias de esperança

só espero que o ano desperte
como este mês que hoje começou
e já começou a acabar
efêmero e intenso
como ela
todas as noites

Faço questão de dizer
para que ela saiba bem
nada é para sempre
o tempo só nos distancia
um dia tudo acabará
nos restará a alegria
das memórias
desta noite quente
desta manhã nublada
deste mês de amor
que hoje começou a findar

como ela a noite toda,
sussurando obcenidades
sabendo que tudo acaba
mas só acaba quando termina
e só termina quado chega ao fim

um dia

mas não esta manhã
pois hoje é o dia perfeito
se hoje é onde vivemos
agora é dezembro
e se não houver futuro
de que adiantam os planos?
aproveite aqui
agora
esta noite nublada
esta manhã de amor
este mês quente
hoje

juro que te amarei
enquanto for hoje


25 novembro 2006

"Cor-relatividade"

gatinha,
a cor certa
do seu bronzeado
é em você
como fica,
não como é.
assim como a arte,
é algo subjetivo
e contextual
ao observador
e a quem intecionou
se vc me entende.

- "Juan, cada um é cada um...
e cada qual que vê de fora
vê diferente do próprio
observador em si mesmo

[ou não]"

24 novembro 2006

"Sorte, me seja fiel"

sorte, amiga, me toca!
e traz mais um trocado
pra quem sempre te invoca;

seja fiel a quem persiste
quem joga o ano inteiro,
quem só pára e desiste
quando acaba o dinheiro,
Limpa esse rio de azar
que lavou toda minha grana
seca esse curso em teu mar
e comigo não seja sacana

Roga-lhe um jogador carente:
me torna um pouco mais forte!
faça seu brilho presente,
e seja só minha, ó sorte!

"vício e virtude"

quando o amor é um jogo
o amor é sua dor
quando o jogo é seu amor
o jogo é seu ardor
quando o amor é suador
a vida é calor
quando o amor é vida
é virtude
quando a vida é jogo
é vício


[ou não]

"Jogador"


Sou um jogador
jogo até ficar cansado
as vezes sou vencedor
as vezes saio derrotado
só não largo meu amor
pra evitar o mal ditado

e se um dia não venço,
ainda não joguei tudo
(é assim que eu penso
e assim que me iludo)

Atrás de panos verdes
já rodei o mundo inteiro
e das mesas dos cassinos
já tirei o meu dinheiro

sou bem vindo e respeitado
por ricos e por mendigos
mesas de sinuca e carteado
diversos naipes de amigos

Pode a sorte não ser fiel,
mas é boa companheira:
um pouco como a carioca,
um pouco como a mineira


de mim, não sei se ela gosta
dizem que nao gosta de ninguem
mas se ganho alguma aposta,
sei que ela me quer bem.

confio na estatística do destino,
jogo sempre desde menino,
faço aposta em qualquer lugar
eperando antes da morte,
me tornar amigo da sorte
sem ser inimigo do azar

"Nas minas"

-ASSIM É-

mais minutos nas minas
menos meses nas mesas
mais mantos nas missas
menos meninas riam
mais mulheres gemiam (nãos!)
mês a mês
menos mil mãos mineiravam
menos marcham,
mais marchas
menos acham
mês a mês,
menos carvão
mês a mês
menos são
os mineiros sãos
mas mesmo assim
muitos mantêm-se
mineirando nas minas

-ASSIM SOU-

sou mineiro competente
nas cavernas profundas
abro nas rochas vãos
e nas tabernas imundas
quebro picaretas com as mãos

esta é minha vida
feita de perdas e de pedras
este é meu mundo
vivo sem fundos
em buracos escuros
onde durmo e trabalho

sou um mineiro valente
e em todo meu ofício
nunca fiquei doente
esculpindo montanhas
(embora meu pulmão,
para minhas entranhas
sugue todo o carvão)
respiro esta fuligem
e jamais a falta de ar
causou-me quaquer vertigem
e em toda minha mineração
pedra alguma ousou
manter-se em meu caminho

- ASSIM ERA...-

até que o dia chegou
eu a extrair minérios
e um brilho intenso me ofuscou,
envolto em mistérios

pensei se tratar de uma pepita,
pelo tom dourado que me cegou
e era muito mais bonita
a visão que me chegou

perdi o fôlego
não com o carvão
(que se acumula em meus pulmões)

- ASSIM SERÁ -

hoje eu mineiro,
-e me esmero-
esperando encontrar lá no fundo o brilho que vi nos teus olhos

teu duro coração não se amolece,
com a força de minhas batidas
e picaretas se partem
sem abrir qualquer fenda
para entrarem meus delirios

nunca em meu labor,
encontrei rocha mais concisa
que nem todo meu amor ameniza

com teu encanto
sei que meu sincero amor
findará teu pranto
aliviando tua dor

extraindo minérios
que valem mais que eu
e de pedras
onde de onde mino carvão
que aquece teu banho
(prepara nossa cama!)

saírei com sorte
e, se você quiser,
te farei a melhor mulher

manterei-me forte
obcecado pelo brilho
e matarei a morte
pela vida de nosso filho

"Bina"

a bina
nunca mais mostrou
o número do celular
ou do lar

da menina
que um dia parou
(por não me amar)
de me ligar


ah bina!
(ai sina..)

"chamada"

ainda faz falta
o que nunca tive
(não cative)
ou não mantive

dou voltas
em revolta.
não voltarás?

ainda aguardo
a chama
da (tão) chamada
minha amada

"Deleite"

se deleite
(em minha cama)
se deite
(sacana)
deite-se
deleite-se
deixe-se
desleixe-se
queixe-se
que quer mais
e peça
'medeleite,

me dê'

"Sonha-dor"

te desejo
uma boa semana

me pergunto
por onde você anda

me contento
com um as possibilidades

me preocupo
com muitas cidades

se te espero,
em meu sono te encontro
te acho, te tenho
mas (inexoravelmente),
amanhece...
minha mente
não te esquece
mas te perco
para a realidade
dura
e teus macios
ensejos
me desejam
um bom dia
e me levanto
(s)em pranto
pro cotidiano
mas ....
uma faísca de certeza
me deixa tranqüilo ao dizer
que você guarda minha cama
que me aguarda sacana
para a próxima noite
de sono feliz

"Horizonte"

Na manhã de sol radiante
(que sucedeu profundo breu),
se viu o horizonte distante
que a noite negra escondeu

encurralado ou sem luz,
sem ver esta tênue linha,
meu mundo todo se reduz;
e toda a beleza definha.
(o horror que isso produz,
atormenta a alma minha)

por um pouco deste momento,
rogo por qualquer fresta
entre tijolo e cimento
pra observar a bela festa:

ao primeiro lume do céu,
subo ao cume dum monte
a linha se torna clara,
define-se o horizonte!

então, minh´alma se anima;
céu e terra: tudo coincide!
um embaixo, outro em cima,
...só o horizonte os divide.

"Retorno ao mar"

- às mulheres que o mar me trouxe




















de brumas espumantes
onde quase me afogo,
surgistes deslumbrante
me deslumbrando logo

e quando seu doce canto entoou,
nunca ouvi mais bela melodia
seu encanto me encantou,
e alegrou todo meu dia

pressenti que não era pura
mas não neguei um beijo
me envolvi nesta loucura,
e agora ardo de desejo...
e se tardo em minha procura
já não te encontro nem te vejo

pois ao cair da tarde,
mesmo que eu não queira,
não tenho nem metade
de quem não é inteira,

e, sem alarde,
me sento na praia
com sal nos olhos, fitando o mar
te vejo partindo triste,
sereia voltando ao lar

10 novembro 2006

"Sorte no amor, um jogo de azar"

- para aquela que traz alegria ao coração e prejuízo ao bolso

não carrego pé de coelho,
para me manter de pé
mas também não quebro espelho
apenas tenho minha fé

às vezes corro um risco
mas me mantenho em paz
e até peço a sao franciso
que proteja os animais

os bichos do meu dia a dia
fazem meu dinheiro se multiplicar
cavalos de corrida e galos de briga
pavão na cabeça ou tigre no milhar

a noite toda jogo sem fadiga
meus níqueis no bar bar bar

e quando a sorte me larga,
meu amor traz seu beijo macio,
e vida que estava amarga,
se torna um doce rio

mas o curso não é só calma
é fluvio fluindo ao mar
pois a minha gêmea alma
é parceira de todo azar.

"Sexta-feira"

Chegou em casa, e, ao desabotoar o cinto, suspirou naturalmente;
pôde-se perceber o alívio da sexta-feira à noite
- instante que liberta

"Há de chegar o dia"

- para quem está a me esperar -

Pelo dia em que te beijarei anseio
(anseio)
pelos beijos, em teus macios lábios
e pelo teu corpo, que me veio
como nas palavras dos sábios

os segundos correm
sem cessar
os dias escorrem
sem passar

pela vontade de te ter
minha por alguns momentos
essa espera há de ser
de horas e minutos lentos

há de chegar nosso encontro
o que farei contigo, eu não conto.
e sobre as saudades, que findaram,
escreveremos nosso conto.

enquanto espero, imagino
o que você pensa
do que eu digo
e digo
o que penso
que você imagina
enquanto me espera.

espera,
você nem imagina,
mas pensa e me diz:

o que é exato
e o que é preciso?

tenho saudades da poesia
que você me propicia
(e com a qual se delicia..)
mas há de chegar o dia

"Talvez, o amor de verdade"

talvez
eu tenha chorado
todo esse amor
derramado na calçada

talvez

talvez
eu tenha percebido
a beleza escondida
que só eu não vi

talvez eu ainda sinta
a tristeza guardada
pelo amor que deixei passar
(pelo amor que deixei partir)

talvez eu me arrependa
um dia no futuro
pelo passado
pela tua ausência,
meu amor verdadeiro

mas talvez eu saiba
o que fiz pra te ter
o que passei pra te realizar
todo esse amor
que já foi presente

e por isso,
só por isso,
me sinto feliz
feliz
mesmo
ciente que errei
ao te deixar partir
mas que vivi
o amor de verdade
(acerto único
na minha vida errante)

e na esperança do amanhã
dormirei inquieto
acordarei sorrindo
vivendo das lembranças
tranquilas de ontem

"Os pensamentos são livres"

"Die gedanken sind frei" - (Os pensamentos são livres) Nome de uma velha cantiga alemã, que data dos arredores da baixa idade média, qualquer coisa em torno do ano 1000, tida como subversiva, por ensinar às pessoas que elas podiam pensar, podiam ter idéias sem que ninguém mais soubesse delas.

então,

não livre-se dos que pensam
e lembre-se dos que penam

pense nos que se lembram
que a liberdade do pensar
pesa leve nos que sabem
e nos leva sem pressa, pra outro lugar
embora eu queira ficar,
meu pensar me lava, me leva
leva os que esperam pensando
em casa, na rua ou num bar
de porto em porto, de cais em cais
cruzando o mar, atrás de mais
idéias novas, que me fazem voar
ah, como é leve o pensar!

"Boca cheia"

tua boca cheia de prazer
esvazia meus sonhos
quando me diz
que meu amor
é amargo

"neozelandês ciumento"

- para uma namorada efêmera

Não sei se o brilho do teu sorriso se pôs no meu horizonte ou se apenas uma nuvem passageira, vinda de longe, me esconde da alegria da tua luz.

"Boné"

- para uma mineira que se foi

o que queria ser, menina
era esse seu boné,
que nunca sai da tua cabeça
pq vc que nunca sai da minha

você sumiu do meu céu,
levando a tua bela fronte,
debaixo de um chapéu,
foi pra bel´horizonte.

partiu como quem se cansa,
alheia a todos meus zelos,
meu grito já não te alcança
nunca ouvistes meus apelos
[mas num boné resta a lembrança
deixada por teus cabelos]

e você nem imagina,
qual foi a reação:
tua partida repentina
que partiu meu coração

"eu volto"- me jurou-
"para outra temporada."
mas o verão já terminou
e já começa a madrugada

talvez você não apareça
mas eu nunca perco a fé
de estar na tua cabeça
- quero ser o teu boné

"O que quer de mim"

- para uma mineira que voltou

quem parte,
deixa um espaço
e depedaça planos.

mas passam-se os anos
e na arte de uma poesia
revê seus enganos.

e resolve voltar,
talvez tentar algo novo,
movida pelo mesmo sentimento

mordendo meu ombro,
como um doce carinho,
desfez o escombro
de um descaminho,

agora, a bela boca
que marca minha pele
permanece calada
pra que nunca revele

o que quer de mim

"A mais charmosa flor"

- para uma bela curitibana

sonhando com um conto
(onde amei ser sem amado)
me levanto meio tonto
de um sono perturbado

tomo um café puro;
desperto meio ranzinza
no domingo, frio e duro,
o céu é triste e cinza

na memória, a lembrança
da noite mais vazia
frustrando minha esperança
de ter tua companhia

ainda vejo o teu semblante
na fumaça de um cigarro
e volto àquele instante
ao teu lado, no teu carro

o que aconteceu?

no compasso do tambor,
quase tudo era perfeito:
tua presença e o calor
acelerando no meu peito

(mas quis o destino
zombar de meus dias
me trazendo má sorte,
desengano e ironia)

me encantou tua formosura,
tua postura de princesa
tua alvíssima brancura
impregnada de beleza

em trajes de marujo
com listras de loucura
quis um beijo sujo
ganhar da boca pura

Sincero de cachaça
confessei minha paixão
e você, achando graça,
apenas disse não

ciente que não presto,
ardo em resignação
que meu desejo mais honesto
não te toca o coração

(mas sei que fiz o certo
e que nada foi em vão)

e partiste,
saindo sem alarme
levando consigo
teu belo charme

olhando pela janela,
passo sem rancor
na chuva de Curitiba,
uma tarde sem o amor
da mais linda donzela,
a mais charmosa flor

"Amizade Sincera"

- aos mais verdadeiros amigos, os que só falam a verdade,mas por pura cretinice


sou grato a esta vida
pois tenho tanta sorte
e cada amigo que tenho
me torna mais forte

não tenho vaidade
(não sou assim tão vil)
prefiro a verdade,
que um falso elogio.

('-porra, tá ridículo')

E tenho sorte na vida
de ter tido este gosto:
orgulho de ser teu amigo,
seu cretino,
e me apego a este posto!

Ah, meus amigos sinceros
que me dizem a verdade
quem seria eu,
sem nossa amizade?

( não responda)

"Menina dos óculos escuros"

Para a menina-abelha


Um par de retintas lentes
esconde-me de teu olhar
você se pensa invísivel
sendo leve como o ar

não sabendo ao certo
se me sorri ou se mentes,
apenas posso imaginar
o brilho por trás das lentes

continue secreta
mas esconde tua beleza,
(discreta abelha-régia )
evitando da natureza
uma ponta de inveja
(diante da tua realeza )


mas antes, deixa de mistério
pra eu seguir com minha poesia:
me diz aí se já tem alguém sério
que eu desisto de nosso dia a dia
[pois não aprovo o adultério
se houver melhor companhia]

sem nem saber o que você vê
imagino algo pra me agradar :
- pois se vive no que se crê -
me torno alvo de teu olhar

sei muito bem o que escolho
para fazer minha realidade
e viajo dentro de seu olho
não importa pra qual cidade

alguns dias você não passa
e volta quando não prevejo.
talvez seja pela cachaça
que acredito no que não vejo
e você me diz uma graça
já sabendo que te desejo
e não há nada que eu faça
que não seja por teu beijo

um dia pedirá com encanto
"beija-me até eu gemer"
para que eu seque o pranto
que você tratava de esconder

mas chegará por fim
o dia de você brilhar
você olhará para mim
me convidando proutro lugar
e de pronto direi sim
apenas com meu olhar

e vamos levando assim
pra tentar te conquistar
não me finjo de modesto
mas gosto de nosso amar

doce, sincero e honesto
meu amor não é exlcusivo
você sabe que não presto
e bem conhece onde vivo

e assim será
até que você seja
minha ex-amada

e assim será
em sentimento e sem pranto

e sei que não estou errado
se acredito quando me dizes
que, deitando-se ao meu lado,
tuas noites são mais felizes

07 novembro 2006

"Amor de Carnaval"

- para a minha primeira-dama -

Jurando teu falso amor
com um beijo inconseqüente
tu me tornas traidor
de quem não vê o que não sente

fico dormente
paralisado
você insiste em me beijar...
e provando teus lábios molhados,
quase esqueço-me do meu lar

entre confete e serpetina
tento ainda ser fiel
mas teus beijos de menina
me escorrem feito mel

e quem não está presente
não percebe meu pecado
e me sinto um presidente
me deitando ao teu lado

ah primeira-dama
por que você faz isso?
pois além de minha fama
também tenho compromisso.
(e se me deito em tua cama,
só não quero ser omisso)

mas eu não faço mal
até sorrio de alegria
pois hoje é carnaval
e teu beijo é fantasia

"Vazio I"

o que é o vazio?
o que significa 'vazio'?
espaço sem nada,
ou espaço sem alguma coisa?



vazio é a falta de algo

"Outra pessoa"

- para um ex-amor -

quero mudar
quero fugir
de onde estou
do que sou
não sei se consigo

quero me mudar
quero me fingir
até ser o que não sou,
e ser capaz

não serei eu
que vou te dizer
o quanto não te amo mais

"Noite"

- para a melhor companheira de todos os boêmios -

na noite que tudo esconde,
encontro a minha diversão
e tanto faz aonde
pois nunca saio em vão:
fumando e bebendo
errando e aprendendo

por uma rua antes vazia
vou andando por aí,
sempre em boa companhia
de alguém que mal conheci

a noite, charmosa dama
acompanha minha jornada
e seu negro perfume derrama
atraindo a madrugada

sempre há amigos
pra dar uns goles
as vezes gatinhas
pra dar uns moles

só vejo o que quero
na noite que me conduz
(com os olhos sensíveis
pela falta de luz)
fumo vários maços
bebo uma birita pura
troco alguns passos
andando na noite escura

e assim levo meu viver
em busca de diversão
até o dia nascer

"Momento Zen"

olhar perdido
mente se encontrando
energias fluindo
as boas vindo
pensando em nada
percebendo tudo
eliminando diferenças
sentindo a unidade
entre corpo e mente
entre toda a gente
em toda cidade
cai a vaidade
pois não há separação
entre nada e tudo.

"Recado pra JG"

- para João Guilherme, filho de Aninha -

Fevereiro é o mês
Quinze é o dia
E em 2006
veio grande alegria
todos foram ver
a criança que nascia

e mesmo distante
se via o intenso brilho
era Aninha radiante
de amor pelo seu filho:

João Guilherme
garoto de sorte!
nascido no Rio,
sadio e forte

e quando na cidade
alguém nasce sorrindo
desejo de verdade
que seja bem-vindo!

E dou meu recado
pra quem tenho apreço:
não ande errado,
comece do começo.

Pequena criança:
se a vida carece de arte,
nunca perca a esperança
e faça direito sua parte.

A vida é uma luta,
meu jovem rapaz:
todo dia na labuta
buscamos a paz,
então vê se me escuta
e vê lá o que tu faz.

E onde quer que você for
jogue confetes e serpetinas
levando todo teu amor
para todas as meninas.

E hoje alguém te diz:
não fique muito a toa,
seja bem feliz
e tenha uma vida boa

este poema é pra você
criança pequeninha
grande JG
filho de aninha!

"Ah, Ventura"

- para C. Ventura -

ó negra noite
abra tua lua em sorissos puros
brilhe teus piercings em estrelas
(estou aqui para vê-las)

ah noite amena
trazendo teu perfume
leve como os ventos
e no escuro dos teus olhos
a clareza dos sentimentos
o amor que me propicia
ah, tua escuridão
tua textura macia
teu gosto cheiroso
(que me delicia)
és uma linda noite
em meu mais feliz dia

"Teu olho no meu fotolog"

- para os belos olhos de uma bela gaúcha -

teus olhos me espantaram
em um canto de minha tela
e do susto refeito
vim ver como és bela

sigo agora a observar
teu nenhum defeito
até logo me deitar
em meu solitário leito

gravou-se em minha retina
esta imagem, dentre tantas,
dos cílios desta menina
esta pupila dos pampas

tenho certeza de acordar
um homem satisfeito
bailando com teu olhar
em meu sonho perfeito

(olho direito,
olho direto
teu pedaço de rosto
meu sorriso completo)

e até o desencanto matinal
deste sonhador distante
fizeste o carnaval
de um poeta errante
tendo este teu visual
como melhor amante

um só olho
que me diz tanto
e parece tão perto
secando meu pranto
me torna esperto

por ele atravesso o país
navegando em seu céu azul
deitado em minha cama sem raíz
desembarco num porto ao Sul

olho direito,
que olho direto...

e assim sigo,
imaginando que te consigo
até ser desperto pelo sol
deste jovem fevereiro
(em um longínquo arrebol
chamado rio de janeiro)

mas,
chega de postar
de tentar ser perfeito
com este rude palvavrear
sorrindo agora me deito
(pra melhor me deleitar
com teu olhar direito)

"Vila Velha, Espírito Santo"

- para um lugar que me acolheu tão bem -

ah a velha vila!
que guardou meu coração
pelo breve tempo
de um longo verão
a vila da velha guarda,
em sonhos que tenho
no alto de um morro
de um momento de empenho.

vila velha, me aguarda!
vou correndo
em disparada
sentindo o vento
cruzando a ponte
vendo o convento
vendo o monte
cheio de histórias
só não vendo por nada
esta bela memória
da praia do canto
vila velha e vitória
espírito santo

(trabalha e confia, mané!)

"Jardim de Rosas"

Vi botões de um jardim
machucarem-se em espinhos
aguardando a primavera
chorando em seus caminhos
o orvalho da espera
no inverno sem carinho

cativo,
cultivei-as

hoje meu jardim de rosas,
floresce em duas cores:
brancas e formosas
coradas de pudores

as rubras,
dos febris amores
falaram-me ao coração
dispersando seus odores
de uma tarde de paixão

as brancas,
pálidas de tão puras
alvejaram meu olhar
e tal límpidas alvuras
fizeram-me cegar

desperto-as com meu afã
de admirá-las mais um dia
e minhas vadias manhãs
são floridas de alegria

com a graça de meninas
estendem seus copos nus
levíssimas bailarinas
bailando em busca de luz

e com sede dançam
nas tardes tropicais
saciando-se, balançam
sob notas pluviais

no silêncio das madrugadas
cansadas de meu olhar
suas sombras perfumadas
pairam leve pelo ar
e bocejam já cansadas
sob a prata do luar

deixando minhas amadas
ligeiro vou me deitar
até que os ninhos cantem
aqui no Rio de Janeiro
e todos se levantem
cada qual pra seu canteiro

"Não - amor"

Ainda sorrio com você
ainda não sei te dizer
não finjo nada, mas te evito
(peço desculpas sem querer)
sinto o silêncio do teu grito
e percebo, aflito, teus planos:
sonhos bonitos pros próximos anos!

mas mãos dadas me soam atadas
e prevejo teus desenganos
e por isso me repito
e prolongo esse desejo fugaz
te fazendo pensar
que há um tempo de viver o antes
que há tempo de voltar atrás
pra a calma das lembranças flutuantes

e assim você mantém-se bela, em paz
insistindo na velha vela
que não tremula mais.

sem vento, resta-nos o cais
com a esperança da partida
o sal nos olhos da despedida
minha ausência, mesmo ao teu lado
minha boca cheia de beijos gelados, sem rancor

assim seguimos sorrindo calados
ancorados neste frio ardor
e teus lábios agora molhados
pelo mar amargo do meu não-amor

"Te esperei"

Você disse que vinha me ver porque estava com saudades
me fez sorrir e até esquecer de todas tuas maldades

você que me deixou, agora, iria se redimir
( sabia que nosso amor voltaria a existir! )

e com essa boa brisa
eu corri pra me aprumar
até passei uma camisa,
que vesti pra te esperar

deixei tudo arrumado
abri todas as janelas
comprei vinho importado,
e acendi algumas velas

assobiando um samba antigo
as vezes, olhava lá fora
me preocupava contigo
e com toda essa demora
pois você que não chegava
quando já chegava a hora...

te esperei...

te esperei...

você não veio...

Tomei todo o vinho
sem ter tua companhia
agora me deito sozinho
numa cama imensa e fria

fecho os olhos e a cortina
mas o sono não me alcança
e você em minha retina
na mais cretina lembrança:
e aquele momento medonho,
logo vem em recordação
eu ingênuo te entregando,
tanto amor em vão!

Até mesmo no meu sonho,
você partiu, meu coração.

06 novembro 2006

"Camarote"

Em meu camarote, sob o convés alagado, doces sonhos - embalados pela sereia que enfeitaça meu sono - flutuam no fundo da noite em minha cabeça, onde descansas sobre meu travesseiro encharcado do sal do amar.

"Sem verdes, me deixastes"

Cá estava a semente deste desengano,
semeada pelos teus longos falsos beijos
(e eu achando que com tanto carinho
veria nascer a mais bela flor)

E assim foi-se

com seu perfume que sufoca
doce odor, amarga dor
não de ver-te longe,
mas de ver-te perto
partindo
em minha loucura
dói teu sorriso
como se fosse um corte
que não cicatriza

e assim, rasgando-me, foi-se

de minha vida honesta
deixando-me sem alma
porém vivo
por sorte?
se minha paz foi-se,
se a foice jaz em meu peito,
sem sentimento, o que me resta?
ainda vivo a buscar o que não terei mais:
teus olhos verdes, esperança de minha paz

"Breve lamento"

As noites
são vazias
de carinho
do teu amor
dói
meu amor
lágrimas
contive
às vezes
não

"ela la eu rio"

Junto com quem está longe
passei mais uma noite
em meu colchão amplo.

Ainda encontro seus pêlos
ainda tentei segurá-la pelos cabelos
evitando que partisse
pra tão longe daqui....

abro os olhos, confuso
o calor da noite passa
e acordo tremendo
ela em outro horário,
ainda dorme, conforme o fuso

quando levanto de manhã,
já não mais sorrio
(sem o sonho que me faz suar)
pois ela é minha lã
sem ela sinto frio
ela LA, eu RIO

"Sem horizonte"

na noite escura, o horizonte sumiu

"A velha chama"

misteriosa dama
(viva ou morta?)
a velha chama
sussurando à minha porta

olho e não vejo,
calado, te sinto chamar
ao meu lado, certos dias
parece me espiar

de noite, em minha cama
a velha chama
e por minha vida clama

um dia eu provarei teu fel
e de mãos dadas iremos andar
de todas, és a dama mais fiel
e sei que queres me levar
te sinto em meu leito,
quieta a me esperar
mas se contigo me deito
é pra não mais me levantar

"Memória Infeliz"

nem se eu pudesse viver de memória
recordaria o que senti
ainda sonho que estou dormindo
e despertarei antes de ti
sem te ver passar sorrateira
nem ouvir tua história
não entregaria o que antes deti.

nem seu eu pudesse, evitaria saber
o que aprendi com teu falso amor
que não cantou minha canção
e hoje me faz calar dor
e escorre do me coração
pelos meus olhos sem glórias

nem se eu pudesse
viveria destas memórias

"Loucontido"

não quero mais nem um pouco
me sentir olhado como louco
ou guardar este riso rouco

"Vacilona"

como não te desculpo
você se diz chateada
comigo e não consigo,
(mas devia)
querida,
não te desculpo
porque você não me ofendeu,
mas faltou o respeito com você mesma
continuo seu amigo,
apesar do que há
não obrigo, não desculpo,
quero paz
parece-me, como já disse,
que é você que não percebe
o que é evidente:
faça o que quiser,
o que sente,
pois quem não finge, não mente,
entende?
eu te respeito, você não.

então não fique assim comigo
a poesia vai te consolar,
ouça o que te digo,
beijos,
do ainda amigo

"Nos meus versos"

nos meus versos
(és) estrela
do universo
(sois) sóis.

flutuando no oceano
(do espaço)
não se ouvem
explosões
lançando vida?
e se (houvesse ?)
afundando no mar
(da própria morte)
bailam
satélites
rochas
planetas
orbitam
em torno do que?

[Quando é, é]

"Uma madrugada só"

O telefone tocou novamente....Porra, isto lá é hora de telefonar! Eu já tava dormindo mas alguém tá insistindo. Às vezes ouvindo esse toque do celular, eu me acho ridículo. Ainda bem que quase nunca ouço. Onde eu deixei o telefone? Se bem que me sinto mal por muitas outras coisas também. E não tem como deixar só na vibração nenhuma dessas coisas. Alô? Ué, que número é esse? Nem reconheceu o número,né? Mas reconhceci a voz embriagada, com certeza em um bar, pelo barulho. Oi, meu bem ... De repente um pub, mas o som tá longe, sei lá o que tá tocando. Funk ? Ou Hip Hop? Se você tivesse visto que era meu número nem tinha atendido, né? Eu nem vi o número, mas porque não ia atender? Cigarro, cigarro, ...tá. Sei lá, achei que você não queria mais falar comigo, você sumiu. Isqueiro, isqueiro...Eu perdi teu número. E aparentemente o isqueiro também. Perdeu? Tá bom. Na verdade minha namorada apagou do meu celular uma leva de nomes femininos suspeitos. Ex, ex, tenho que me acostumar. Perdi, mesmo, nem sei como, liguei praquela tua amiga, atrás de você, mas nada. Nós brigamos. Eu sei. Vocês brigaram? É, não to falando com ela...Claro, depois de jogar cerveja nela e chamar de piranha, vai dizer o que, né? Entendi. Alguém chamou o garçom, deve tá na Cobal. Onde você tá, garota? No Baixo...você tava dormindo? Porra,hoje é segunda, garota, claro que eu tava dormindo, uma e trinta e sete. Foi mal. Fala. Não devia ter te ligado. Mas o que você quer? O que você acha, porra? Sexo, isso eu bem sei. Sei lá, falar comigo? Você ta em casa? Tô. Sozinho? Como assim, sozinho? Tua namorada tá aí contigo? Eu não to mais namorando. Eu sei que ela gostou de ouvir isso, mas não gostei de dizer. Ah, fósforos, ótimo. Ih, de motel, mas faz tanto tempo, quem foi mesmo que ...? Porque terminaram? Porque terminamos, o que você quer? Vem me buscar. Merda. Você tá como aí? A pé, doidona e sem dinheiro, como sempre. Tô com umas amigas, vamos tomar umas cervejas, mas queria ir embora com você. Olha lá, tá com grana... Eu tô sem carro. Caô! Ah, você tá andando direto de carro, levou minhas amigas pra praia, na Barra. Hmm será que ela sabe? Foda-se também, tão brigadas, vai ver é até o motivo...vai ver sou até motivo de briga. Mas hoje o carro tá com meu irmão. Ele foi resolver uns lances em Niterói. E aí? Pega um ônibus e vem pra cá. Pega um táxi, você tem dinheiro? Só pra cervejas, vem me buscar logo, deixa de ser escroto. Escroto? Escroto? Cinzeiro, rápido,...hmm..na cozinha....Peraí! O que foi? Chegou alguém, é? Não, eu to sozinho, não chegou ninguém, peraí, porra! Ai, seu grosso! Desligou. Ainda bem, hoje, quero uma madrugada só. Vai ligar de novo outro dia, isso eu sei.

[Dormir com esta certeza deixa qualquer um feliz, se o cara confiar no que acredita ]

"Viva o verso"

- (vem / bem) vindo -

Vejo um novo verso
Vindo só, rindo.
“Vivo sorrindo”
altivo, versou.

O verso velho
compressa na testa
ouviu vozes vindo
(ou viu vozes rindo?)
olvidou sua versa
ouvindo a conversa
virando-se com dor.

virando computador,
o vivo chegou
versando veloz
sem pressa na festa
“convite?” – lhe pediram
“semvite!” – lhe sorriram
entrou ventando e saiu inventando.

O velho sentiu um reverso,
Vacilou visando o invasor.
Vetou sua poesia:
“Com pressa, não presta!
Sem dor não tem valor!”

O verso veloz
ao ouvir a voz lenta
virou, sem pudor:
“Condor não tem valor!”
Empresta a compressa?
- referiu (ao velho)
Empresta tua dor?”
-proferiu (o novo)
“Você vende dor!”
-feriu (ao velho)
“Você vem de dor!”
- preferiu (o novo)

“Vem ver!”
- convidou (o velho)
“Venho do amor!”
- revidou (ao novo)
“E vendo dor, viro amor !”
- validou (o velho)

e o versador conversador:
“vocês viram
um verso frio
inverso ao Rio
inferno vil.

vocês verão
o inverno quente
verso valente
da nossa gente”
o veloz divertiu

O sereno advertiu:
“Vá adiando o dia!
Vadiando à noite!
Odiando o sol!”

“Isso é poesia?”
-conversou o seco
“isso é sua dor?”
- versou seco

“Empresto minha dor!”
- desconversou o suador
“A sua não presta!”
- e sua na testa.

- Verso x Verso -

O novo veio saltando.
O velho, veios saltando.
O velho vertendo versos
O novo invertendo versos

“Os velhos vêm em vão!”
“Os novos vêm e vão!”
“Os novos vieram!”
“Os velhos viram!”
“Os novos verão!”
“Os velhos inverno!”
“seja bem vindo!”
“você já vem vindo?”

- Em FIM –

Viva o novo verso velho!
O velho verso novo!
O uno verso!
viva o verso!
Viva!

"Ecoa"

ecoa
em minha mente
o teu último beijo
pelo telefone
soa recente
o desejo

que me consome

"Carta de amor"

Meu bem,

Esta é apenas mais uma carta de amor.

Eu queria primeiro deixar claro de uma vez por todas que eu sou completamente apaixonado por você, não sei desde quando, mas parece ser desde sempre.

Também quero me desculpar por ser tão idiota e com tanta freqüência.

Meu diário sem você é muito triste, quero você de volta no meu cotidiano.

Essa falta que você faz
você nem faz idéia de como eu nem durmo
tomo café, fumo cigarro
muitas coisas boas tem acontecido, mas não parecem tão boas quanto seriam se tivesse a certeza do teu amor.
Sinto falta da tua companhia.
Fumo outro cigarro.
"o mundo é um moinho",
consola o cartola.
nem ele me consola
nem ele cola.

“Lindo o texto”

lido com o texto
lido com contexto
contesto com o texto
detesto o que testo
testo o que sou
detesto o que sei:
testa quente é febre
texto quente é lebre
ligeiro que nem esfria
passa que resfria
passado o texto,
leio o que diz
lido o passado
leio o presente

lindo o futuro

"Me sonha"

me abraça
me abarca
me embarca nos teus sonhos
me leva

pra tua cama nua
na sua cama sua
de calor e de prazer
me deita no teu travesseiro
me leva esta noite pro seu sono

de manhã, ainda estarei aqui,
você vai estar aí, mais feliz
pois dormi contigo,
em teus seios
quando dormi aqui

contendo meus anseios

"Assim como você"

sem silêncio
sem segredos
nosso amor é barulho
nosso amor é caos
é ruído que não incomoda
é táctil, é visual
é auditivo e olfativo
é careta e criativo
com tranqüilidade

mesmo na tempestade
ou pura eletricidade.
não estática,
dinâmica.

[assim como você]

"Amor Virtual VI"

'Até outro dia'
'Até'
Agora, é expectativa
e imaginação
a tecnologia nos aproxima,

mesmo distantes
porque
estamos distantes mesmo
no tempo

no espaço
na alma

perto é ilusão
longe é o futuro
incerto é o dia

além deste muro
(radiante de alegria
ou lamentos no escuro?)

"Durabilidade"

podemos nos iludir
podemos nos chocar
podemos nos insultar

podemos nos beijar
sem nunca perder

o que temos agora:
nosso amor

"Durma Bem"

vai deitar
vai dormir
porque esta noite
vou entrar em você
pelos seus sonhos

"Amor Virtual V"

Vai valer a pena
as noites diante do monitor
com puta dor
com puta vontade
de consumar o amor
de realizar o que teclo

de fazer o que prezo

"Amor Virtual IV"

me espera, eu chego,
me espera que eu vou.
e quando chegar,
e quando te ver,
vou te beijar
como já beijei,
como nunca beijei
e saberei
o motivo pelo qual viajei é nobre..
o gesto imaginado, o contato só digitado
o corpo da amada finalmente tocado
amor platônico, não me serve mais!
quero o amor de Drummond:
quero o teu amor pleno.

"Amor Virtual III"

ahh...
eu te vejo sem te ver
eu te beijo sem te ter
eu te pego sem sentir
eu te sinto sem você
eu me sinto em você
eu sinto você aquicom minhas mãos tuas em mim...

"Amor Virtual II"

esperando que ela digite
alguma coisa
que eu queira ouvir
qualquer coisa
eu quero ouvir dela
mas não posso ouvi-la
só ler
e imaginar a expressão de seu rosto
e o tom que usou
e decifrar o subentendido
de suas letras
e teclar um obrigado
não podendo agradecer com um beijo
ou com um sorriso
talvez um ícone

"Amor Virtual I"

agora ela fechou a porta
porque viu minha mensagem
e sabia que o conteúdo
seria sacanagem
cada linha eu escrevia
um pouco do meu desejo
cada linha eu descrevia
um pouco do que não vejo
e enquanto aguardo o dia
imagino te ter aqui
na minha cama pra mim
me fitando
com um olhar de quem sabe o que esperar
com um gesto me convida para tê-la
Me seduzindo com murmúrios e gemidos
sinto prazer em ouvi-los
e ela fecha os olhos e respira fundo
e geme mais alto
eu preencho o espaço do prazer que ela perdeu
e percebo quanto amor me deu
e sinto ela me puxar
e sinto ela me chupar
e sinto ela me beijar
e abro os olhos]
e só vejo ela
do outro lado da tela
com os olhos fechados como a porta
com as próprias mãos onde deveriam estar as minhase, com muito prazer, percorrendo minhas linhas...

"começo d'algo"

Minh'alma se enaltece, teclando devaneios pr'além desta tela, em tabs e shifts, ou shits, sem esnobar asteriscos, ricos ou pobres em rima, e riam assim, desfalecendo em seu próprio sudor, que junto com tilintares titubeavam as coisas ao cair da tarde, o começo do fim, de semana pelo menos, e não pela primeira, mas pela sexta, isso tudo faço.

Se outrora quem nem bola me dava, me jogando pra escanteio, vem afagar a rude crina que já entoou com nojo em discussões repudiantes, que há a se fazer, senão aceitar que há um fim para todo começo e se o esforço de minha humildade e minha vã honra se deixam levar pelos doces lábios que me cuspiram, mas com tanto gosto, que é bom se iludir até mesmo sobre o passado e um dia olhar pra trás e dizer: sim, caí, mas cavalguei; e esta torpe valquíria me teve seu, por um instante mais lépido que o ligeiro coelho saído de qualquer cartola.

-- Juan Otoya