24 novembro 2006

"Nas minas"

-ASSIM É-

mais minutos nas minas
menos meses nas mesas
mais mantos nas missas
menos meninas riam
mais mulheres gemiam (nãos!)
mês a mês
menos mil mãos mineiravam
menos marcham,
mais marchas
menos acham
mês a mês,
menos carvão
mês a mês
menos são
os mineiros sãos
mas mesmo assim
muitos mantêm-se
mineirando nas minas

-ASSIM SOU-

sou mineiro competente
nas cavernas profundas
abro nas rochas vãos
e nas tabernas imundas
quebro picaretas com as mãos

esta é minha vida
feita de perdas e de pedras
este é meu mundo
vivo sem fundos
em buracos escuros
onde durmo e trabalho

sou um mineiro valente
e em todo meu ofício
nunca fiquei doente
esculpindo montanhas
(embora meu pulmão,
para minhas entranhas
sugue todo o carvão)
respiro esta fuligem
e jamais a falta de ar
causou-me quaquer vertigem
e em toda minha mineração
pedra alguma ousou
manter-se em meu caminho

- ASSIM ERA...-

até que o dia chegou
eu a extrair minérios
e um brilho intenso me ofuscou,
envolto em mistérios

pensei se tratar de uma pepita,
pelo tom dourado que me cegou
e era muito mais bonita
a visão que me chegou

perdi o fôlego
não com o carvão
(que se acumula em meus pulmões)

- ASSIM SERÁ -

hoje eu mineiro,
-e me esmero-
esperando encontrar lá no fundo o brilho que vi nos teus olhos

teu duro coração não se amolece,
com a força de minhas batidas
e picaretas se partem
sem abrir qualquer fenda
para entrarem meus delirios

nunca em meu labor,
encontrei rocha mais concisa
que nem todo meu amor ameniza

com teu encanto
sei que meu sincero amor
findará teu pranto
aliviando tua dor

extraindo minérios
que valem mais que eu
e de pedras
onde de onde mino carvão
que aquece teu banho
(prepara nossa cama!)

saírei com sorte
e, se você quiser,
te farei a melhor mulher

manterei-me forte
obcecado pelo brilho
e matarei a morte
pela vida de nosso filho

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