19 fevereiro 2017

"Subsolo do Coração"

sonâmbulo ou bêbado,
desci por engano,
ao subsolo do coração

onde se guardam
e se aguardam amores
que nunca (mais) visitei

confuso, abro baús
repletos de vidros
contendo amores
que já se foram,
poderiam ter sido,
ou não serão.

casos sólidos,
amores líquidos,
paixões vaporosas,
permanecem acumulados
profundamente em mim

há frascos quebrados,
com marcas viscosas.
esvaídos de amores.

e sabores desconhecidos
cuja textura só suponho
e não me atrevo provar

súbito desperto,
suado e sedento
me sento e medito:
há razão no que jamais será?

me levanto 
e o chão treme:
será que meu passo vacila
ou o subsolo que se sente?

--Juan Otoya

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